Health · · 4 min read
Campanha reduz exames de tomografia desnecessários em traumas sem deixar lesões sem diagnóstico
Um programa da Universidade de Cincinnati reduziu o uso de tomografias da cabeça e do pescoço em casos de trauma de baixo risco, economizando dinheiro e tempo e diminuindo a exposição à radiação.
Um programa de 23 meses em dois departamentos de emergência da Universidade de Cincinnati reduziu o número desnecessário de tomografias computadorizadas da cabeça e da coluna cervical em pacientes de baixo risco com trauma, segundo reportagem publicada pelo EurekAlert!. Uma análise não encontrou lesões não detectadas nem outras evidências de danos após a introdução da mudança.
A campanha evitou mais de 3.500 exames no University of Cincinnati Medical Center e no West Chester Hospital. A redução esteve associada a cerca de US$ 6,2 milhões em custos de saúde evitados para os pacientes, com base em uma estimativa de US$ 1.750 por exame. Ela também economizou 14.168 horas de espera dos pacientes, considerando uma média de aproximadamente quatro horas para cada exame.
Os hospitais também evitaram 6.021,4 milissieverts de exposição à radiação. Os autores do estudo compararam essa quantidade a aproximadamente 2.000 anos de radiação de fundo típica para uma pessoa.
Usando regras estabelecidas de forma mais consistente
Os profissionais de emergência já dispõem de regras de decisão para ajudar a determinar se uma pessoa com uma lesão na cabeça ou no pescoço precisa de exames de imagem. Essas diretrizes têm como objetivo identificar pacientes com risco relevante de lesão grave, permitindo ao mesmo tempo que os profissionais evitem exames quando a probabilidade de encontrar um problema perigoso é baixa.
A campanha da Universidade de Cincinnati se concentrou em incorporar essas regras à prática rotineira. Profissionais de medicina de emergência participaram de sessões de educação continuada sobre as diretrizes e as pesquisas que lhes dão respaldo. Os critérios relevantes também foram integrados ao prontuário eletrônico usado para solicitar exames, levando os profissionais a considerar se um exame era necessário antes de fazer o pedido.
O projeto contemplou tanto os pacientes quanto a equipe. Algumas pessoas que chegavam após um trauma esperavam fazer uma tomografia mesmo quando a avaliação clínica indicava que ela era desnecessária. Os hospitais desenvolveram folhetos informativos para explicar por que o exame de imagem poderia não ser apropriado e tranquilizar os pacientes de que recusar um exame poderia representar um tratamento cuidadoso, e não falta de assistência.
David Thompson, professor associado de medicina clínica de emergência e diretor de melhoria da qualidade e segurança do paciente da University of Cincinnati College of Medicine, disse que as regras de decisão podem identificar lesões graves sem expor pacientes de baixo risco a exames evitáveis. Ele disse ao EurekAlert! que a análise não encontrou nenhuma lesão não detectada após a aplicação das diretrizes.
Quais pacientes podem precisar de exames de imagem?
Nem todo trauma na cabeça ou no pescoço apresenta o mesmo nível de risco. Alguns pacientes com concussões ou outras lesões ainda podem ser classificados como de baixo risco após um exame. Outros apresentam sinais de alerta que tornam mais apropriada a realização de uma tomografia.
Os indicadores listados no relatório incluem queda de altura, ejeção de um veículo, fraqueza ou dormência em um membro, sangue no ouvido, vômitos e confusão. Os profissionais usam esses e outros achados, juntamente com as circunstâncias da lesão e o exame do paciente, para decidir se o exame de imagem é necessário.
Essa distinção é importante porque a tomografia pode fornecer informações rápidas e valiosas, mas também consome tempo e expõe os pacientes à radiação ionizante. Um exame pode exigir que os pacientes permaneçam em um departamento de emergência já lotado enquanto equipamento e equipe estão disponíveis. Evitar exames que provavelmente não mudarão o tratamento pode, portanto, beneficiar tanto os pacientes individualmente quanto o departamento como um todo.
Os resultados foram publicados no Western Journal of Emergency Medicine por Thompson, Anita Goel e colegas. Goel é professora associada de medicina clínica de emergência. A equipe de pesquisa também incluiu o residente de medicina de emergência Jude Luke, a estudante de medicina Rebecca Kubick, a professora de pesquisa Heidi Sucharew, Natalie Kreitzer e funcionários do UC Health Office of Performance Improvement.
Um teste em um centro de trauma movimentado
Os resultados são relevantes porque o programa foi realizado em um serviço de grande volume, e não em uma unidade pequena ou altamente especializada. O UC Medical Center é o único centro médico acadêmico da região metropolitana de Cincinnati e um centro de trauma adulto de nível I. Seu departamento de emergência tem 81 leitos e é descrito como quase continuamente lotado.
A taxa de realização de tomografias da cabeça e da coluna cervical caiu nos dois hospitais participantes até o fim da campanha. A análise dos resultados não identificou nenhuma lesão que tivesse deixado de ser detectada porque um exame foi evitado. Esse resultado apoia o uso de avaliações clínicas estruturadas em pacientes considerados de baixo risco, mantendo a possibilidade de os profissionais solicitarem exames de imagem quando houver sinais de alerta.
Para Thompson, o projeto mostra como a melhoria da qualidade pode alinhar as preferências dos pacientes à prática clínica. Os pacientes querem um tratamento eficaz, mas isso não significa necessariamente receber todos os exames disponíveis. A aplicação de regras baseadas em evidências pode ajudar as equipes de emergência a realizar exames de imagem quando eles são úteis e evitá-los quando não são, mesmo sob a pressão de um departamento lotado.