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Anúncios de Trump financiados pelos contribuintes são alvo de escrutínio antes das eleições de meio de mandato

Anúncios de televisão com a participação do presidente Trump provocaram preocupação bipartidária sobre o uso de dinheiro federal para mensagens políticas antes das eleições de novembro.

Anúncios de televisão com a participação do presidente Donald Trump e a promoção de seus temas políticos estão sendo veiculados nacionalmente com dinheiro federal, provocando críticas de parlamentares de ambos os partidos antes das eleições de meio de mandato de novembro. A CNBC informa que a campanha está sob escrutínio para determinar se viola as restrições à publicidade e à propaganda financiadas pelos contribuintes.

Um dos anúncios mostra Trump em destaque na tela, declarando que os Estados Unidos não se tornarão um país comunista. Imagens do presidente aparecem acompanhadas de mensagens sobre reduções de impostos descritas como historicamente grandes, enquanto um refrão musical repetido serve de trilha sonora.

O anúncio foi exibido na televisão aberta durante o fim de semana, inclusive no Face the Nation, da CBS, e em transmissões de futebol universitário. A empresa de inteligência publicitária AdImpact estima que o governo gastou até agora quase US$ 920.000 com sua veiculação. Um aviso final identifica o patrocinador como o governo dos EUA, embora a fonte federal específica do dinheiro não tenha sido divulgada.

Uma mensagem de campanha apresentada como serviço público

A Casa Branca defendeu os anúncios como comunicados de serviço público, e não como material de campanha. Um porta-voz disse que o objetivo era incentivar os americanos a valorizar seu país e compreender o que deve ser defendido dentro dos Estados Unidos, em suas fronteiras e no exterior. A administração também classificou a produção como educativa e abertamente patriótica.

Os críticos argumentam que o conteúdo acompanha de perto a linguagem da campanha republicana antes das eleições de meio de mandato. Candidatos republicanos têm procurado retratar os democratas como comunistas, ao mesmo tempo que destacam as conquistas legislativas da administração, incluindo a lei de redução de impostos promovida oficialmente como One Big Beautiful Bill. Essas mesmas ideias aparecem no anúncio financiado pelo governo.

Os democratas têm vantagem nas pesquisas nacionais de opinião mais recentes, segundo o artigo, faltando pouco mais de cinco semanas para a votação. Seu objetivo declarado é assumir o controle tanto da Câmara dos Representantes quanto do Senado, onde os republicanos atualmente detêm maiorias.

Um segundo anúncio utiliza outro conjunto de temas políticos associados a Trump. Nele, ele apresenta o momento como uma luta final e promete remover do governo os adversários que considera seus e libertar o país deles. O material teve origem em um anúncio digital usado pela campanha de Trump durante sua candidatura presidencial de 2024. Segundo o relato da CNBC, ele antecede a guerra no Irã, mas agora está sendo exibido na televisão com financiamento público.

A AdImpact calcula o custo de transmissão desse anúncio em mais de US$ 362.000. Ele foi exibido durante jogos da NFL no domingo e no Fox News Sunday. Juntas, as duas campanhas representam bem mais de US$ 1 milhão em tempo de transmissão financiado, segundo os valores divulgados.

Parlamentares questionam a base legal

A questão central é saber se os anúncios atendem a uma finalidade legítima do governo ou equivalem a promoção política. As regras federais de dotações há muito restringem o uso de dinheiro público para publicidade ou propaganda dentro dos Estados Unidos, a menos que o Congresso tenha autorizado isso.

A senadora Maggie Hassan, democrata de New Hampshire, levantou a questão em uma carta enviada na quinta-feira à chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles. Hassan argumentou que o anúncio não tinha uma finalidade oficial evidente e poderia violar a proibição do uso de verbas autorizadas pelo Congresso para uma ampla campanha de propaganda destinada a ajudar um partido político ou candidatos.

Ela também relacionou os gastos ao que descreveu como os dispendiosos projetos pessoais do presidente, incluindo um salão de baile proposto para a Casa Branca. O salão de baile foi estimado em mais de US$ 1,8 bilhão, disse ela, argumentando que esse dinheiro poderia, em vez disso, ajudar a reduzir as despesas dos americanos.

Democratas de alto escalão dos Comitês de Dotações do Congresso aderiram às críticas. Esses painéis controlam os gastos federais e têm apoiado regularmente disposições que proíbem a propaganda na legislação de financiamento do governo. Eles disseram que, se Trump quisesse anúncios destinados a conquistar a aprovação popular, deveria financiá-los de forma privada.

A lei de financiamento mais recente contém uma disposição que estende a restrição ao dinheiro usado direta ou indiretamente, inclusive por meio de contratados privados, para publicidade ou propaganda doméstica que não tenha sido previamente aprovada pelo Congresso.

O senador republicano John Kennedy, da Louisiana, também expressou reservas durante uma participação no Face the Nation. Ele disse que autoridades públicas, incluindo Trump, a ex-secretária de Segurança Interna Kristi Noem e o próprio Kennedy, não deveriam usar dinheiro do governo em anúncios que os promovam. Sua posição, acrescentou, é diferente da da Casa Branca.

A controvérsia, portanto, vai além do tom ou do momento de veiculação dos anúncios. Ela diz respeito à possibilidade de uma administração usar fundos públicos para transmitir mensagens que se assemelham a argumentos eleitorais enquanto as descreve como educação patriótica. Com o controle do Congresso em jogo, os anúncios se tornaram um teste inicial de como as regras federais de comunicação se aplicam às mensagens presidenciais antes de uma votação nacional.

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