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Novo belemnite jurássico foi o mais largo já encontrado
Dois fósseis do Wyoming revelaram uma espécie de belemnite recém-nomeada, com um esqueleto excepcionalmente largo e em forma de barril.
Uma nova espécie de belemnite jurássico foi identificada a partir de dois fósseis raros encontrados no Wyoming, revelando um animal com um esqueleto muito mais largo do que o de qualquer outro membro do grupo já registrado.
A espécie, Wyoteuthis linsterorum, viveu há cerca de 160 milhões de anos. Era um cefalópode antigo, aparentado às lulas e aos polvos atuais, e pode ter medido cerca de 60 centímetros entre a parte posterior do esqueleto e as pontas dos braços. Seus restos excepcionalmente robustos distinguem-no dos fósseis esbeltos, semelhantes a balas, normalmente associados aos belemnites.
A descoberta é descrita na revista Papers in Palaeontology por pesquisadores dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da Nova Zelândia. As descobertas foram divulgadas por manchester.ac.uk, que incluiu Dean Lomax, pesquisador honorário da Universidade de Manchester, entre os autores do estudo.
Um fóssil surpreendentemente diferente
Os belemnites eram animais marinhos cujas estruturas internas de sustentação são comumente preservadas como fósseis duros e afilados chamados rostra, ou guardas. Esses restos são encontrados em todo o mundo, inclusive em grande quantidade na Formação Sundance, no Wyoming. As rochas se formaram em um mar interior que um dia se estendeu por grande parte do oeste dos Estados Unidos.
Os fósseis típicos de belemnites da formação têm aproximadamente 5 a 10 centímetros de comprimento e apenas 1 a 2 centímetros de largura. Os dois espécimes atribuídos à nova espécie têm cerca de 10 centímetros de comprimento, mas sua largura chega a 6 centímetros. Isso lhes confere um perfil curto e espesso, mais parecido com um barril do que com uma bala.
O primeiro fóssil foi encontrado no fim da década de 1990 por Burkhard Pohl, fundador do Wyoming Dinosaur Center. Ele permaneceu na coleção do museu por anos sem ser investigado. Um segundo exemplar foi descoberto posteriormente perto de Ten Sleep, Wyoming, pelo colecionador de fósseis Cliff Linster, que o doou à mesma instituição em 2019.
Juntos, os espécimes forneceram aos cientistas evidências suficientes para estabelecer uma nova espécie. O nome do gênero faz referência a uma lula do Wyoming, enquanto o nome da espécie homenageia Linster e sua família. Linster morreu em junho deste ano, mas sabia que os pesquisadores estavam examinando sua descoberta e aguardava com expectativa sua publicação formal.
Escaneamento revela um sobrevivente antigo
A equipe de pesquisa usou tomografia computadorizada para estudar os fósseis sem abri-los. As imagens revelaram características internas que colocaram o animal em uma antiga linhagem de belemnites. Acreditava-se que esse grupo tivesse desaparecido milhões de anos antes de o animal viver, tornando inesperada sua presença nas rochas jurássicas.
Alexey Ippolitov, especialista em belemnites atualmente radicado na Victoria University of Wellington, disse que a diferença extrema do animal em relação aos exemplares conhecidos era surpreendente, pois o grupo é estudado há mais de dois séculos. Os pesquisadores sugerem que seu tamanho pode tê-lo ajudado a predar belemnites menores do gênero Pachyteuthis.
Essa ideia continua sendo uma possível explicação, e não um fato demonstrado. Sabe-se que as lulas modernas comem outros cefalópodes, inclusive membros da própria espécie, portanto um belemnite grande pode ter ocupado um nicho predatório semelhante. A escassez do animal também pode refletir uma adaptação especializada às condições do mar antigo, embora os fósseis não possam estabelecer por que ele era incomum.
Caçadores de fósseis e descoberta científica
O trabalho começou com o espécime excepcionalmente grande de Pohl e avançou depois que a doação de Linster levou um segundo exemplar ao conhecimento dos pesquisadores. Jessica Lippincott, paleontóloga do Wyoming e coautora do estudo, disse que a descoberta demonstra que colecionadores amadores e pessoas que procuram fósseis de invertebrados podem dar contribuições valiosas à pesquisa.
A família Linster tem um histórico de descobertas importantes, incluindo o dinossauro Bambiraptor. Lomax já havia trabalhado com Cliff e sua esposa, Sandy, na escavação de um leito de ossos de dinossauros na propriedade deles, no norte de Montana. Ele também tem experiência na coleta de fósseis e na escavação de répteis marinhos na Formação Sundance, no Wyoming.
Lomax disse que dar à espécie o nome de Linster foi significativo, embora tenha reconhecido que Linster não viveu para ver o estudo publicado. O nome agora registra a contribuição do colecionador que encontrou um dos apenas dois exemplares conhecidos.
Atualmente, os dois fósseis estão expostos no Wyoming Dinosaur Center, em Thermopolis, Wyoming, onde os visitantes podem ver os espécimes que revelaram esse membro excepcionalmente volumoso dos mares jurássicos.