Technology · · 4 min read
Empresas de semicondutores dizem que a integração é agora o principal obstáculo do setor
Uma pesquisa da HCLTech revela que a crescente dependência de chips está levando as empresas a buscar capacidades de integração mais robustas e estratégias de silício mais personalizadas.
O principal problema da indústria de semicondutores está mudando. A integração substituiu as restrições de oferta como o desafio mais frequentemente identificado pelas empresas, segundo um relatório da HCLTech divulgado por money.rediff.com.
As conclusões surgem num momento em que empresas de vários setores se tornam cada vez mais dependentes de chips. A HCLTech entrevistou 300 executivos seniores nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, abrangendo funções de engenharia, pesquisa e desenvolvimento, semicondutores e hardware, produto, inovação e estratégia tecnológica. Quase todos os entrevistados — 98 por cento — disseram que suas organizações dependem mais de semicondutores do que dependiam há três anos. Outros 99 por cento esperam que essa dependência aumente nos próximos cinco anos.
Essa dependência significa que as decisões sobre chips estão ultrapassando as equipes técnicas. Para 71 por cento das empresas pesquisadas, o avanço da inteligência artificial tornou a arquitetura de semicondutores uma questão estratégica de negócios mais importante. As decisões de arquitetura podem afetar a forma como os produtos são desenvolvidos e recebem suporte, fazendo com que as escolhas de chips passem a fazer parte do planejamento corporativo mais amplo, em vez de serem apenas uma questão restrita de compras.
A integração supera as preocupações com a oferta
Embora a escassez e as interrupções no fornecimento tenham moldado a indústria de semicondutores nos últimos anos, os entrevistados agora apontam para uma fragilidade diferente. A integração foi mencionada com mais frequência do que os problemas da cadeia de suprimentos ou as limitações de desempenho como a principal razão pela qual as soluções existentes não atendem às necessidades dos negócios.
A preocupação foi especialmente evidente nos setores de dispositivos médicos e automação industrial. Ela ficou entre os dois principais desafios em todos os quatro setores incluídos na pesquisa, afirmou a HCLTech. O resultado indica que garantir um chip é apenas parte da tarefa. As empresas também precisam que hardware e software funcionem em conjunto e se encaixem nos produtos, nas operações e nos planos de desenvolvimento de longo prazo.
A automação industrial registrou o aumento mais acentuado da dependência. Três quartos dos entrevistados desse setor disseram que suas organizações dependiam muito mais de semicondutores do que dependiam três anos antes. O relatório, portanto, coloca a automação entre as áreas em que as decisões relacionadas a chips estão se tornando particularmente importantes.
As conclusões não sugerem que as cadeias de suprimentos tenham deixado de ser importantes. Em vez disso, mostram que as empresas estão enfrentando um desafio mais amplo depois de obter componentes semicondutores: fazê-los funcionar de maneira eficaz dentro de produtos e sistemas complexos. Esse desafio está se tornando mais visível à medida que o uso de chips se espalha pelos setores.
Empresas buscam suporte de engenharia mais amplo
As empresas pesquisadas disseram que estavam recorrendo cada vez mais a prestadores de serviços de engenharia em busca de ajuda. A integração de hardware e software foi a área de valor esperado mais citada, escolhida por 67 por cento dos entrevistados. O suporte à cadeia de suprimentos e ao ciclo de vida veio em seguida, com 61 por cento, enquanto 59 por cento destacaram um conhecimento mais aprofundado de seus setores.
Juntas, essas prioridades apontam para uma demanda por assistência que se estende por toda a vida útil de um produto. As empresas não buscam apenas acesso a componentes; também querem apoio para combinar tecnologias, gerenciar o fornecimento e manter sistemas ao longo do tempo. As conclusões da HCLTech sugerem que a força de uma parceria de engenharia pode influenciar cada vez mais a competitividade, ao lado das capacidades do próprio silício.
Ameer Saithu, vice-presidente executivo e chefe global da área de semicondutores da HCLTech, afirmou que a pesquisa mostrou que as empresas estavam considerando como criar capacidades duradouras em torno da tecnologia de semicondutores. Ele relacionou essa mudança aos longos ciclos de vida dos produtos, às exigências regulatórias e aos complexos ambientes de integração.
A personalização se torna uma questão para os próximos cinco anos
O relatório também aponta para uma possível mudança na forma como as empresas compram e desenvolvem chips. Atualmente, 79 por cento das empresas dependem totalmente de silício pronto para uso ou principalmente de componentes comerciais com apenas uma personalização limitada. No entanto, 66 por cento esperam adotar uma abordagem diferente dentro de cinco anos.
O relatório não especifica um único modelo substituto para essas empresas. Em vez disso, suas conclusões mostram um afastamento da dependência exclusiva de componentes padronizados. À medida que o uso de semicondutores se torna mais central para os produtos e as operações, as empresas podem dar mais ênfase à adaptação do silício às suas próprias necessidades e à criação das capacidades de engenharia necessárias para oferecer suporte a ele.
Para o setor, essa mudança altera a base sobre a qual as soluções são avaliadas. O desempenho e a disponibilidade continuam relevantes, mas já não são os únicos critérios de valor identificados pela pesquisa. A capacidade de conectar hardware e software, lidar com questões de fornecimento e ciclo de vida e aplicar conhecimentos específicos de cada setor está se tornando igualmente importante para as empresas que planejam sua próxima geração de produtos.