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Estudo identifica pacientes com maior risco de tuberculose resistente
Uma análise internacional relaciona sete características dos pacientes a desfechos piores no tratamento da tuberculose multirresistente e resistente à rifampicina.
Uma análise de programas e ensaios clínicos sobre tuberculose identificou um grupo de características dos pacientes associado a desfechos piores na tuberculose multirresistente ou resistente à rifampicina. Os resultados, publicados pela Nature Communications, basearam-se nos registros de 7.750 pessoas e foram usados para criar um escore de estimativa do risco do tratamento.
O estudo constatou que pessoas vivendo com HIV, pacientes mais velhos, aqueles com baixo índice de massa corporal e fumantes tinham maior probabilidade de apresentar um desfecho clínico desfavorável. A mesma associação foi observada entre pacientes cujas amostras eram positivas para bacilos álcool-ácido resistentes, bem como entre aqueles com doença extrapulmonar ou cavidades no tecido pulmonar.
Em conjunto, essas características ofereceram aos pesquisadores uma maneira de separar os pacientes em grupos de risco. As pessoas classificadas na categoria de baixo risco tinham menor probabilidade de um resultado desfavorável à medida que o tratamento avançava do que aquelas classificadas como de alto risco. A diferença entre os grupos foi estatisticamente significativa, com p < 0,001.
Uma forma difícil de tuberculose
A tuberculose continua sendo a doença infecciosa mais mortal, segundo o artigo. Suas formas resistentes aos medicamentos representam um desafio adicional porque os remédios usados para tratá-las podem ser tóxicos e difíceis de tomar por longos períodos.
A tuberculose multirresistente é resistente a medicamentos importantes contra a tuberculose, enquanto a tuberculose resistente à rifampicina é resistente à rifampicina, um dos fármacos usados no tratamento padrão. A análise concentrou-se nos fatores individuais dos pacientes que poderiam ajudar a distinguir as pessoas mais propensas a responder bem daquelas que podem precisar de acompanhamento mais próximo.
Os pesquisadores avaliaram em que medida as informações combinadas de risco separavam desfechos mais e menos favoráveis. O modelo produziu uma área sob a curva característica de operação do receptor de 0,728, com um intervalo de confiança de 95% de 0,726 a 0,731. Essa medida descreve a capacidade do modelo de discriminar entre diferentes grupos de desfecho; o intervalo relatado indica o desempenho estimado na população analisada.
O valor dessa abordagem está em reunir várias características clínicas, em vez de considerá-las isoladamente. O status em relação ao HIV, o estado nutricional, o histórico de tabagismo, o resultado laboratorial de um esfregaço, a localização da infecção e o aspecto da doença pulmonar contribuíram, cada um, para o perfil geral do paciente. A idade também foi incluída como parte da avaliação.
Evidências de um esquema de seis meses
Os pesquisadores então testaram as categorias de risco em um grupo externo tratado com um esquema BPaL de seis meses, altamente eficaz. Nessa análise de validação, o tratamento foi bem-sucedido para 97% dos pacientes do grupo de baixo risco. Entre os pacientes das categorias de risco médio e alto, a taxa de sucesso foi de 88%.
A diferença não significa que as pessoas dos grupos de maior risco não possam ser curadas. Em vez disso, mostra que o escore foi capaz de identificar grupos com diferentes probabilidades observadas de sucesso, mesmo quando avaliados com um esquema de tratamento que apresentou desempenho geral forte.
A validação externa é importante porque um método de predição pode parecer útil na população a partir da qual foi desenvolvido, mas apresentar desempenho diferente em outro conjunto de pacientes. A aplicação do escore a pessoas tratadas com o esquema de seis meses proporcionou um teste separado para verificar se o padrão de risco continuava sendo relevante além da análise original.
Rumo a um cuidado mais personalizado
Os resultados apoiam o uso de fenótipos de risco dos pacientes para orientar as intervenções contra a tuberculose. Um perfil de risco poderia ajudar os médicos a reconhecer os pacientes com maior probabilidade de ter uma evolução desfavorável e direcionar mais atenção ao tratamento deles, além de identificar aqueles com menor risco previsto.
O artigo não apresenta o escore como substituto do tratamento. Em vez disso, sua conclusão é que separar os pacientes por risco pode tornar o planejamento do tratamento mais eficaz e personalizado. Isso poderia ser especialmente relevante na tuberculose resistente aos medicamentos, em que a terapia já é prolongada e tóxica e as consequências de um desfecho desfavorável são graves.
A análise também oferece uma estrutura para comparar desfechos entre programas e ensaios clínicos. Ao registrar as mesmas características dos pacientes e atribuir as pessoas a categorias de risco comparáveis, as equipes de saúde podem interpretar melhor os resultados do tratamento e determinar onde é necessário apoio adicional.
Segundo a Nature Communications, esse tipo de estratificação de risco é fundamental para melhorar as taxas de cura. Os resultados do estudo indicam que informações individuais dos pacientes podem ser usadas para distinguir as perspectivas de tratamento e apoiar um cuidado mais direcionado da tuberculose.