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A indústria da música enfrenta mudanças na liderança e disputas sobre IA
A Warner Music reorganiza a sua liderança enquanto empresas de IA enfrentam processos por violação de direitos de autor e a Sony se junta a uma nova coligação centrada na inovação responsável.
A Warner Music Group está a reorganizar a sua liderança de topo enquanto as disputas sobre inteligência artificial continuam a espalhar-se pelo setor da música, segundo a Music Business Worldwide.
Val Blavatnik vai integrar a equipa executiva da Warner como diretor-geral da Warner Music North America, UK and Corporate Development. A nomeação atribui-lhe responsabilidade pelas operações de música gravada nos Estados Unidos, no Canadá e no Reino Unido.
A empresa está também a alargar as responsabilidades de Elliot Grainge na ADA, a sua divisão de música independente. Simon Robson, entretanto, prepara-se para deixar a Warner depois de quase três décadas no grupo. A Warner apresentou as mudanças como parte dos seus planos para a próxima fase do negócio.
Carianne Marshall também deverá deixar um cargo de topo na Warner. Vai abandonar as funções de copresidente e diretora de operações da Warner Chappell Music, a divisão global de edição musical da empresa, no final do mês. Permanecerá na Warner até ao final do ano civil, enquanto o diretor executivo da WCM, Guy Moot, passará a ser o único presidente da divisão a partir de 1 de outubro.
Os dados de treino da Suno sob escrutínio
A Suno reconheceu que material criado pelos seus utilizadores contribuiu para o treino do seu modelo de música com IA de sexta geração. Numa resposta a uma nova ação judicial, a empresa afirmou que o sistema aprendeu com a atividade da comunidade, incluindo criações dos utilizadores e sinais que indicavam as suas preferências.
A revelação surgiu quando a Suno enfrentou um segundo processo por violação de direitos de autor intentado pela Universal Music Group e pela Sony Music Entertainment. As editoras apresentaram a queixa na sexta-feira, 18 de setembro, num tribunal federal de Boston, onde já está a ser analisado um processo anterior contra a Suno.
A questão coloca a atividade dos utilizadores no centro de um debate mais amplo sobre a forma como os sistemas de música generativa podem ser desenvolvidos. A declaração da Suno descreveu o processo de treino, enquanto o novo processo acrescenta mais um desafio jurídico apresentado por duas das maiores empresas de música gravada do setor. O artigo não estabelece que quantidade do material de treino do modelo veio dos utilizadores nem identifica as criações específicas envolvidas.
UMG visa as práticas de distribuição da DistroKid
O processo separado da Universal Music Group contra a DistroKid também está a chamar a atenção. A Music Business Worldwide noticiou que a queixa tem 52 páginas e inclui alegações de práticas comerciais enganosas e violações de direitos de autor.
A ação apresenta duas linhas de argumentação distintas. Quatro acusações de violação de direitos de autor dizem respeito a gravações que, segundo a UMG, reproduzem elementos da sua própria música. Uma acusação adicional invoca a Uniform Deceptive Trade Practices Act do Delaware e alega que a DistroKid apresentou material gerado por IA como música criada e interpretada por pessoas.
A UMG acusa também a empresa de distribuição independente de enviar grandes quantidades de material de IA de baixa qualidade para plataformas de streaming. As alegações da queixa não foram estabelecidas como factos por um tribunal.
A cobertura da MBW sobre o caso incluiu um detalhe relevante sobre o alcance da DistroKid: mais de metade das faixas fornecidas a um grande serviço de streaming chegou através do distribuidor DIY. O serviço não foi identificado no artigo. Esse número ajuda a explicar por que razão uma disputa que envolve um distribuidor pode ter implicações na forma como as plataformas de streaming recebem e avaliam música em grande escala.
Sony junta-se a grupo de políticas para a IA
A Sony Music Group tornou-se a primeira empresa de música a juntar-se à Alliance for Responsible Innovation in the Arts & Media, conhecida como ARIAM. A coligação foi lançada em junho de 2026 e reúne organizações dos setores do cinema, televisão, jornalismo, edição, educação e tecnologia.
Victoria Furniss, diretora executiva e CEO da ARIAM, anunciou a adesão da Sony na quarta-feira, 23 de setembro. O grupo inclui agora uma grande empresa de música, juntamente com instituições como a Disney, a BBC e o The New York Times.
A decisão da Sony surge enquanto as editoras discográficas avançam com ações judiciais relacionadas com música gerada por IA e participam simultaneamente em iniciativas destinadas a definir políticas para esta tecnologia. Em conjunto, os acontecimentos da semana mostram o setor a trabalhar em várias frentes ao mesmo tempo: a Warner está a ajustar a sua estrutura empresarial, as editoras estão a testar argumentos jurídicos em tribunal e as empresas estão a aderir a coligações destinadas a influenciar a forma como a IA é desenvolvida e regulamentada.
A cobertura semanal da Music Business Worldwide contou com o apoio da BMI, que trabalha na gestão de direitos de execução para compositores, autores e editoras musicais.