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CEO da Coinbase vê avanço das regras cripto apesar da incerteza no Senado
Brian Armstrong afirma que a regulamentação americana de ativos digitais ficará mais clara, independentemente de o Senado aprovar ou não o Clarity Act.
O diretor-presidente da Coinbase, Brian Armstrong, afirma que a indústria cripto dos Estados Unidos provavelmente terá regras mais claras em breve, independentemente de o Senado aprovar ou não uma legislação criada para definir a supervisão federal dos ativos digitais.
Em entrevista ao Squawk Box Asia, da CNBC, Armstrong disse que o Clarity Act conta com o apoio de empresas de criptoativos, organizações de segurança pública e vários bancos. A votação do projeto no Senado está prevista para 15 de setembro, depois de sua aprovação pela Câmara em julho passado.
Armstrong apoiou publicamente a legislação em nome da Coinbase. Ele disse que as pessoas com quem havia conversado estavam dispostas a apoiá-la, embora reconhecesse que a aprovação no Senado não era garantida. Se o projeto fracassar, argumentou, a Securities and Exchange Commission e a Commodity Futures Trading Commission estão preparadas para emitir suas próprias regras pouco depois da votação.
Os comentários refletem a importância do prazo para uma indústria que há muito busca uma divisão mais definida das responsabilidades regulatórias. O Clarity Act estabeleceria quais ativos e atividades digitais ficariam sob a SEC e quais pertenceriam à CFTC.
Negociações no Senado continuam sem resolução
A legislação precisa de 60 votos no Senado, e as disposições relativas à ética se tornaram um dos obstáculos restantes. O senador democrata Ruben Gallego, do Arizona, disse no mês passado que uma linguagem mais rigorosa sobre ética, juntamente com um acordo sobre outras questões ainda não resolvidas, seria necessária para alcançar esse patamar.
Armstrong disse que as negociações sobre essas disposições continuavam, mas sugeriu que os legisladores estavam perto de resolvê-las. Ele apresentou a aprovação como um passo importante para o setor, ao mesmo tempo em que a descreveu como um marco regulatório que poderia remover uma barreira ao investimento mais amplo.
Na visão dele, regras mais claras poderiam incentivar a entrada de mais capital institucional no mercado americano e ajudar a viabilizar produtos financeiros como ações tokenizadas. Tokenização se refere à representação de ativos, como ações, em formato digital, embora o artigo não especifique quando esses produtos poderiam se tornar disponíveis.
A lei proposta foi apresentada em maio de 2025. Seu avanço ocorre enquanto reguladores e legisladores continuam definindo os limites entre as duas agências federais mais estreitamente associadas à supervisão de ativos digitais. Mesmo sem uma ação do Congresso, Armstrong espera que a regulamentação dessas agências proporcione mais segurança.
Coinbase olha além da negociação à vista
O debate regulatório ocorre enquanto a Coinbase trabalha para reduzir sua dependência da negociação à vista de criptomoedas. Armstrong disse que essa parte do negócio enfraqueceu ao longo do último ano e representou aproximadamente metade da receita da empresa.
A corretora ampliou suas operações de negociação para incluir ações, commodities e câmbio. Ela também obtém receita fora da negociação por meio de atividades que incluem stablecoins e custódia institucional, que envolve manter ativos digitais para clientes profissionais.
Os resultados financeiros recentes da Coinbase mostram a pressão sobre seu principal mercado. A empresa informou uma receita de US$ 1,2 bilhão no segundo trimestre, em julho, abaixo dos US$ 1,5 bilhão registrados no mesmo período do ano anterior. Ela registrou um prejuízo líquido de US$ 359,5 milhões, ante um lucro de US$ 1,43 bilhão no ano anterior. A empresa ficou abaixo das previsões de Wall Street para receita e lucro pelo terceiro trimestre consecutivo.
Suas ações caíram quase 23% até agora neste ano. Armstrong relacionou parte da pressão sobre o desempenho financeiro da Coinbase à prolongada fraqueza na negociação à vista.
Expansão no exterior preenche lacunas regulatórias
A Coinbase também vem construindo operações fora dos Estados Unidos. A empresa estabeleceu presença nos Emirados Árabes Unidos e em Singapura, que Armstrong identificou como seu centro para a Ásia.
Ele disse que esses locais se tornaram particularmente importantes quando o ambiente regulatório americano era menos receptivo. A empresa também busca crescimento em jurisdições cujos governos são mais abertos a negócios de ativos digitais.
Essa abordagem permite que a Coinbase se expanda onde as condições são favoráveis enquanto aguarda em mercados que considera mais hostis, disse Armstrong. Para a empresa, portanto, o resultado do Clarity Act poderia afetar tanto suas perspectivas domésticas quanto o equilíbrio entre as operações nos Estados Unidos e seus centros internacionais.
A cobertura da CNBC indica que a votação no Senado é apenas um dos caminhos para a segurança regulatória. A aprovação proporcionaria uma estrutura legislativa, enquanto o fracasso poderia deixar a SEC e a CFTC agirem por meio de regulamentação.