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Enviado elogia relação entre Xi e Trump como ativo fundamental nas relações entre EUA e China

O embaixador da China afirma que a relação pessoal entre os presidentes ajuda a gerir as tensões, embora continuem sem solução as disputas sobre tecnologia, Taiwan e segurança.

O embaixador da China nos Estados Unidos colocou a relação entre o presidente Xi Jinping e o presidente Donald Trump no centro dos esforços para estabilizar os laços entre os dois países.

Falando num evento do Dia Nacional na embaixada chinesa em Washington, na quarta-feira, Xie Feng afirmou que a ligação pessoal entre os dois líderes e a disposição de ambos para dialogar diretamente ajudaram a evitar que as relações saíssem do rumo durante períodos difíceis. Descreveu a sintonia e o respeito mútuo entre os dois como o recurso estratégico mais importante à disposição de Pequim e Washington.

As declarações foram feitas após a recente visita de Estado de Xi aos Estados Unidos, onde Trump organizou um programa invulgarmente abrangente. O presidente chinês foi recebido no aeroporto, participou numa cerimónia formal na Casa Branca e esteve num jantar de Estado que contou com a presença de importantes líderes empresariais americanos. O programa também incluiu uma reunião para tomar chá e uma visita aos Arquivos Nacionais.

As conversações resultaram num compromisso conjunto de procurar uma relação mais estável, baseada no respeito, na equidade e no tratamento recíproco. Xie afirmou que também se esperava que os presidentes se reunissem no encontro da Cooperação Económica Ásia-Pacífico, em Shenzhen, em novembro, e na cimeira do Grupo dos 20, em Miami, em dezembro.

Uma relação posta à prova por crises repetidas

O canal direto entre os líderes começou quando Trump recebeu Xi em Mar-a-Lago, na Florida, em abril de 2017. Trump afirmou na altura que os dois tinham estabelecido uma amizade. Essa ligação manteve-se durante o conflito comercial que se seguiu, a pandemia de Covid-19 e os quatro anos em que Joe Biden foi presidente.

A relação foi reativada em outubro do ano passado, durante uma reunião da Apec em Busan, de acordo com o relato divulgado pelo South China Morning Post. Seguiram-se outras conversas telefónicas, antes de Trump visitar Pequim em maio. Foi a primeira viagem à China de um presidente americano em exercício em quase 10 anos.

Na mais recente cerimónia de chegada, Trump afirmou que a sua relação com Xi tinha sido construída com base na consideração mútua e nos interesses das respetivas populações. Xi afirmou igualmente que os dois homens tinham mantido o contacto e desenvolvido uma compreensão pessoal. Apresentou a sua visita como uma continuação dessa ligação.

A celebração do Dia Nacional na embaixada também deu mais importância do que o evento do ano passado aos intercâmbios entre pessoas comuns na China e nos Estados Unidos. O Departamento de Estado dos EUA divulgou a sua mensagem habitual, expressando boa vontade e desejando paz, saúde e felicidade ao povo chinês no ano seguinte.

Tecnologia e Taiwan continuam a ser pontos de tensão

Xie aproveitou o discurso para apontar o desenvolvimento tecnológico chinês como prova de que as restrições dos EUA não tinham travado o progresso do país. Citou a Huawei e a empresa de inteligência artificial Kimi, e referiu a Lei de Escalonamento da Huawei e o design de chips.

A Huawei afirmou em maio que essa abordagem poderia eventualmente alcançar um desempenho comparável ao de chips de 1,4 nanómetros sem depender de novos avanços no equipamento de fabrico de chips. Os Estados Unidos e os seus parceiros restringiram o acesso chinês a tecnologia avançada de semicondutores, incluindo os sistemas de litografia ultravioleta extrema geralmente utilizados para fabricar chips de 3 nm e de nós mais avançados.

A recente cimeira não resultou num acordo para flexibilizar esses controlos. Taiwan foi outra questão por resolver. Durante uma reunião em 24 de setembro, Xi instou Trump a deixar claro que Washington se opunha à independência de Taiwan, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China. Taiwan não foi mencionada no relato da discussão feito pela Casa Branca.

Surgiu uma divergência separada sobre se as vendas de armas tinham sido abordadas. O embaixador dos EUA na China, David Perdue, disse à Fox News que Trump tinha perguntado a Xi se a China queria comprar armas americanas. Trump afirmou mais tarde não se lembrar de tal conversa, acrescentando que os responsáveis chineses poderiam estar interessados porque os Estados Unidos fabricavam equipamento melhor.

Pequim reivindica Taiwan como parte da China e não excluiu o recurso à força para colocar a ilha sob o seu controlo. Washington não reconhece Taiwan como um país independente, mas opõe-se a uma alteração forçada do seu estatuto e fornece armas à ilha.

Comércio e medidas de gestão de crises

A embaixada chinesa afirmou que as duas forças armadas tinham concordado em trabalhar no sentido de um memorando sobre comunicação em situações de crise e prevenção de incidentes. O governo dos EUA não fez referência à cooperação militar na sua própria declaração. O South China Morning Post tinha noticiado anteriormente que era esperado o anúncio de um reforço dos contactos entre as forças armadas.

No comércio, Pequim e Washington prolongaram por dois meses o acordo de Busan, transferindo a sua data de expiração para 10 de janeiro de 2027. O pacto, concluído na Coreia do Sul em outubro de 2025, reduziu algumas tarifas americanas sobre produtos chineses, suspendeu novas restrições a empresas ligadas à China, colocou em pausa determinados controlos chineses sobre as exportações de terras raras e incluiu compras chinesas de soja americana.

Os países também criaram um mecanismo do Conselho de Comércio e anunciaram reduções tarifárias que abrangem produtos não sensíveis. A lista dos EUA incluía 77 categorias de importações chinesas, enquanto a lista da China abrangia 1.619 produtos americanos. Os artigos iam de bens domésticos, brinquedos e decorações de Natal a produtos agrícolas, carvão, madeira, dispositivos médicos e aparelhos auditivos.

Os dois governos concordaram ainda em iniciar um diálogo sobre inteligência artificial, abrangendo as vantagens e os perigos da tecnologia. Uma segunda reunião foi marcada para novembro, juntamente com planos para um canal direto destinado a discutir incidentes relacionados com a IA. Em conjunto, as medidas mostram que a diplomacia pessoal dos líderes produziu áreas de cooperação, mas não pôs fim às disputas estratégicas que definem a relação.

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